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CHOURIÇO DE QUIAIOS – UM ENCHIDO TRADICIONAL À BEIRA-MAR
A Vila de Quiaios, localizada na região da Gândara, foi doada em 1122 pela Rainha D. Teresa, regente do Condado Portucalense, a Fernão Peres de Trava, fidelis da Rainha e seu vassalo, e fixou-se desde tempos imemoriais a cerca de cinco quilómetros do mar para o interior, resguardada da árida e inconstante orla marítima por um ciclo de dunas que retém águas potáveis em abundância.
Esta dualidade paisagística – entre a terra e o mar – justifica a dupla disposição gandaresa para a pesca e para a agricultura: por defeito marítimo, o homem gandarês reserva-se as épocas do defeso para o amanho da terra e a criação do seu porco, trabalhando o solo dunar para a prática da agricultura.
A complementaridade entre actividades económicas revestiu a criação familiar do porco de especial importância e cada família que pudesse dedicar uma parte do seu orçamento à criação do porco possuía, por regra, apenas um animal, que era alimentado com lavagem – as sobras da alimentação familiar, aparas de couve, restos de batata miúda e abóbora, e sêmea de milho.
A matança do porco, semelhante à praticada em toda a região centro de Portugal, fornece o sangue, as entranhas e alguma carne para o sarrabulho e os negritos, e dos lombos, padelas e costelas pouco gordos se produz uma “apaladada chouriça”, “com um tempero que a torna uma verdadeira especialidade” e que até “recentemente se vendia ao palmo” (Maurício Pinto, 1959).
Curado em vinha de alhos, o chouriço tradicional de Quiaios era, até aos anos de 1980, enchido na máxima extensão possível da tripa do porco pelo que chegava a atingir mais de um metro e ia ao fumeiro dobrado em duas ou quatro partes.
Este exemplar original e de imemorial antiguidade do património gastronómico português manteve-se vivo nas mesas portuguesas graças às suas características únicas e a redes de distribuição regionais muito marcadas pela atractividade estival da Figueira da Foz e da região da Costa de Prata, sendo, pois, um produto de rica memória entre locais e visitantes, um cartão de visita da nossa praia.
Pó de Saber – Cultura e Património
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